31/10/2007

CONT.

A Paula ficou com cara de quem não estava a perceber o porquê da minha gargalhada, e da cara de espanto do médico.
Levou a injecção e ficou por lá um pouco á espera que passa-se.
Tenho a certeza que ainda hoje o médico lembrará aquele episódio divertido no seu início de carreira, eu por mim ainda dou a minha gargalhada junto da Paula quando falamos desta MEMÓRIA .
Beijos Paula minha maluca.obrigada por me teres dado momentos como estes para lembrar
MEMÓRIAS...
-Memórias são recordações escondidas na caixinha da nossa vivência...
-Memórias são momentos que ficam para sempre no nosso sentir...
-Memórias são pedaços que ficam...para sempre no coração.
É disso que vou escrever...memórias guardadas e não esquecidas que me fazem sorrir.
Já lá vão uns anos, uma vintena deles ou talvez mais, mais certamente.
Trabalhava numa loja de antiguidades, "Velhos Tempos", o nome adequa-se ao que vou relatar, velhos tempos aqueles.
Um dia, a minha amiga Paula, aquela maluca, entrou-me pela loja dentro. Tinha um ar transtornado, dolorido, infeliz.
Perguntei o que se passava.
Respondeu-me com ar de cachorrinho abandonado, que estava num daqueles dias terríveis para as mulheres. Tinha dores insuportáveis, tinha vindo embora do emprego, só se lembrara de mim.
Afinal as amigas servem para isso também, ouvir-nos nas horas más.
Comprimidos já lhes perdera a conta e não havia meio de passarem pura e simplesmente.
Pedi-lhe para esperar, quando deram as sete horas da tarde, fechei a loja, a Paula essa, fez uma cara de alívio, saímos, encaminhando-nos para as urgências do hospital.
Nessa época, o hospital funcionava junto das faculdades, era um edifício velho e degradado, longe dos HUC de hoje.
A Paula essa gemia de dores.
Até aqui tudo normal, uma situação cmo tantas outras que levam as pessoas ás urgências do hospital.
O insólito, o hilariante da situação vem a seguir...mas não riam por favor.
Rui estás proibido de rir, se cá vieres. Prometi-te isto á muito tempo, mais vale tarde que nunca...
Paula entrou para a urgência, eu fiquei na sala de sepera, uma sala fria, inóspita e impessoal. Bancos e cadeiras de madeira, velhas e incómodas. Por ali fiquei.
A dada altura, um médico novo, aparentemente estagiário, assomou á porta.
Olhando á volta, perguntou pela acompanhante da Paula.
Levantei-me e dirigi-me a ele, disse que a minha amiga estava muito irrequieta e seria melhor ir para ao pé dela a ver se se acalmava. Só gritava pela Gina.
Lá o segui, pela urgência dentro.
Foi hilariante, divertida, suprema a imagem que se apresentou aos meus olhos.
A Paula, a minha adorável Paula, encontrava-se num banco igual ao que estivera lá fora, de madeira, duro, desagradável, só que na posição mais cómica que alguma vez pudera imaginar... ajoelhada, de rabo para o ar, gritava: tragam a minha amiga para aqui, tirem-me as dores. Fechem os olhos e imaginem...
Fui ter com ela, a minha expressão devia ser de riso, porque ela entre entre admirada e zangada, mas ao mesmo tempo aliviada dizia: até que enfim, foram buscar-te.
-Paula que estás a fazer de rabo para o ar? Perguntei quase a soltar uma gargalhada.
-Olha não me chateies, esta é a única maneira de ter menos dores. Não gostas de me ver de quatro? Paciência...
Lá e sentou decentemente ao meu lado.
O médico apareceu, dizendo que lhe íam dar uma injecção para as dores, mas que ela teria de ter mais calma, que assim ansiosa lhe doia mais, "tinha de ter calma"
A Paula, lol, com um ar indignado virou-se para o médico e perguntou:
" Calma??? Calma doutor.
Vendem comprimidos de calma na Farmácia???"
O médico olhou para ela estupefacto, eu finalmente soltei a minha gargalhada.
A aula essa

08/08/2007

AQUELA CADEIRA



Sou pequenina...





A 24 de Julho de 1984, iniciava uma nova etapa da minha vida. Iniciava funções no Ministério da Saúde como contratada.


Durante 5 anos, trabalhei no serviço de Alimentação dos HUC (Hospitais da Universidade de Coimbra), depois passei a Auxiliar de Acção Médica, no serviço de Cirurgia Vascular, no 4º piso da instituição.


Os primeiros cinco anos foram terríveis, detestava trabalhar na Alimentação, e por isso, pedi transferência. Por esta altura já tinha casado, comprado o meu primeiro andar, tido a minha filhota, e desistido do meu curso na Escola Superior de Educação.


Ainda hoje me pergunto se terei feito bem, mas penso que sim, penso que teria dado uma má professora.


Os segundos 5 anos foram gratificantes, adorava o contacto directo com os doentes, ainda hoje tenho saudades desses momentos que passei com eles, ouvindo-os desabafar as suas dores e temores. O serviço onde trabalhava, era muito duro e trabalhoso, saía ao fim de um turno completamente esgotada física e psicológicamente.


A grande percentagem dos doentes, ou era ou viríam a ser, mais dia menos dia, doentes amputados, e como tal, necessitando do nosso esforço físico. Quando os médicos lhes diziam que íam ser amputados, era connosco, auxilires que passávam a maior parte do tempo, era connosco de desabafavam as suas mágoas e angústias. Modéstia á parte, comigo falavam bastante, e eu conforme podia e conseguía, lá ía deixando as minhas palavras de carinho e conforto.


De entre as minhas tarefas, uma delas era transportar os doentes do meu serviço, pelos vários serviços do hospital, quer para consultas, tratamentos ou exames complementares de diagnóstico. Para isso levava-os quase sempre em cadeira de rodas, uma vez que a maior parte deles se encontrava impossibilitado de caminhar.


Nunca ao longo desses 5 anos me perguntei, o que sentiriam eles quando se sentavam naquela cadeira, qual sería o sentimento que os assolavam.


Mandavam-me levar os doentes de cadeira, e era isso que fazia sem contestações ou perguntas, porque era mais fácil e rápido, mas curioso, nunca me pus no lugar deles, ou sequer questionei, o que sentiría um doente amputado, ou debilitado, sentado naquela cadeira.


Hoje pergunto-me isso, porque passei pela experiência, e não gostei. É curioso, como certas perguntas só nos assolam, quando passamos pelas situações.


No fim do mês de Julho, tive mais uma consulta no IPO, nesta fase do campeonato, sentía-me tremendamente debilitada. No dia anterior tinha ido fazer um exame ao coração, porque aparentemente este estava enfrequecido devido aos tratamentos.


Sempre fui forte, sempre tentei ser autosuficiente, mas sinceramente, nesta altura, era difícil movimentar-me, cada passada que dava representava um tremendo esforço para mim, mas lá ía caminhando, devagarinho.


Fui fazer as análises, apoiada pela minha filhota Caty, subi as escadas com muito esforço, sentía-me estúpidamente incapacitada e revoltava-me sentir-me assim. Fui á consulta, onde a médica me informou que não podía fazer o último tratamento de quimioterapia porque o o coração estava debilitado e não aguentava, falo-ía em comprimidos, e tería de ir a uma consulta de Cardiologia nesse mesmo dia.
A Cardiologia do IPO, é noutro edifício e lá vim eu, nesta altura já me sentia com imensa dificuldade, mas lá vim eu apoiadapela minha Caty, a mana Paula, e a amiga Sininho.
Não me largaram o dia todo, bem como outros dias dolorosos da minha vida.
Mas neste estavam lá, Deus as abençoe por isso.
Na consulta da cardiologia, entrei em pânico, mandaram-me para o ECG, o Ecocardiograma e finalmente, para o Rx que era noutro edifício.
Pensei para mim, como iria conseguir andar até lá, não era longe, uns 150 metros, com subidas e descidas, e meu Deus como me custava subir..
A esta altura, alguém adivinhou os meus pensamentos, quase de certeza a mana Paula, que sempre atenta aos pormenores lá apareceu com uma cadeira de rodas.
Sentei nela e aí, que sensação de cansaço, de impotência, de fragilidade, de debilidade.
Toda a vida, fui eu que levei, fui eu que transportei doentes, sem nunca me perguntar como se sentiriam, naquele momento era eu que era levada, e sentia-me pequenina, tão pequenina, porque pela primeira vez não era autosuficiente.
A vida prega-nos partidas e enquanto eu era levada para o edifício do RX, passei pela médica, a Dra Isabel Pazos, por enfermeiros, e pessoal por mim já conhecidos, por pessoas desconhecidas e sentía o olhar de pena deles. *Parecia que estava no fim da linha, não queria sentir esse sentimento de derrota jamais.
Naquela cadeira senti-me pequenina...
Hoje, e agora, sinto que aqueles sentimentos foram tão errados quanto legítimos, eram os meus sentimentos...
Hoje sei que termos que agradecer a todos aqueles que nos transportam, com mais ou menos dificuldade, porque nos estão a poupar a sofrimento maior, o de atingirmos os nossos limites.
Deus vos pague meninas e permita que se um dia forem transportadas " naquela cadeira", o sejam com tanto AMOR e carinho, com que eu o fui, e nunca com a indiferença, com que eu o fiz ao longo dos anos... indiferença relativa mas sem questões.
Amo-vos Paula; Sininho e Catarina.
Amo-vos para sempre, e porque não me deixaram aquele momento de debilidade, nem em nenhum outro momento em que precisava de vós.
Brincaram muito, só faltou sentarem um médico ou enfermeiro boracho no meu colo...
Poxa, mas também não passou nenhum por nós!
Devia haver uma lei, que só deixasse contratar borrachos para o IPO, assim seria levada mas feliz com um borracho no meu colinho!...
Eheheheh.
Amo-vos



08/07/2007

DESAFIO!


A Sininho desafiou-me:


Eu quero: Ser feliz, chegar ao fim do desafio que travo e sentir-me vencedora.

Eu tenho: Neste momento muito medo...

Eu amo: A minha familia, os meus amigos, mas sobretudo e acima de tudo a minha Katy.

Eu acho: Que Deus podia ser mais generoso comigo.

Eu odeio: Mentira e falsidade

Eu sinto saudades: Da minha juventude com a Sininho pelo meio lol

Eu escuto: O barulho do mar e sou feliz...pk será?

Eu cheiro: O odor do mar e adoro.

Eu arrependo-me: De muito do que fiz, e de tudo o que vou deixar por fazer.

Eu sinto dor: Se me mentirem, e traírem

Eu sinto falta: De me sentir em paz.

Eu importo-me: Com todos aqueles que amo.

Eu não fico: Longe dos amigos, não consigo...

Eu acredito: Que vou ser capaz...

Eu danço: Razoavelmente

Eu canto: Mal para caraças...

Eu choro: Se me magoam, ou sinto que não vou conseguir...

Eu falho: Quando me sinto insegura...

Eu luto: Sempre que for preciso.

Eu escrevo: Para me sentir feliz e liberta

Eu ganho: Sempre que me sinto feliz.

Eu perco: Se não estou em contacto com os amigos.

Eu nunca: Sei para onde vou...

Eu confundo-me: Quando estou insegura.

Eu estou: Cansada de escrever...

Eu sou: Uma chata ás vezes... eu sei que sou!

Eu fico feliz: Com pequenas coisas e muito amor.

Eu tenho esperança: Que a vida ainda me sorria.

Eu preciso: De paz...

Eu deveria: Estar na praia, a ver e cheirar o mar...



E o desafio é para: Caty

14/06/2007

.............

03/06/2007

Boas tardes!
Já há muito tempo que aqui não venho.
Hoje, finalmente decidi-me a vir deixar-vos os meus beijitos, e dizer-vos que já falta muito pouco, para que esta minha saga termine, pelo menos eu assim espero e peço a Deus.
Agradeço a todos o vosso incondicional apoio, e sobretudo, aqueles que me estão mais próximos, e não me têm largado, no dia a dia.
A minha filhota, que sofre muitas vezes em silêncio, pois sabe que não me pode valer, neste meu caminho, a não ser estar comigo, e muitas vezes dando-me o ombro ainda não endurecido pela idade, mas já muito forte, e adulto porque a vida a isso a obrigou.
A minha manita Ana que todos os dias ali está firme e resoluta, muitas vezes em que sei que o que precisava era de descanso, ela não falta lá um único dia, e se por qualquer motivo não pode, arranja sempre forma de eu não estar só. Obrigada irmã do fundo do meu coração.
Depois a Sininho, essa amiga incondicional, que não falha nunca. És aquela amiga que qualquer um gostaria de ter. Eu tive a sorte de te ter encontrado, felicidade a minha, obrigada minha querida por todo o apoio e carinho que me tens dispensado. Adoro-te.
Adoro-vos a todos, quantos têm estado comigo.
Posso dizer-vos que não tem sido fácil, de seis tratamentos, passaram a doze. Desejo firmemente ver-me livre deste suplicio, e acho que vou ficar muito mais forte, porque aprendi a dar muito mais valor á vida, e a coisas que antes não ligava.
Mais uma vez, beijinhos para todos e tenham a certeza de que daqui para a frente, virei a este meu cantinho, com muito mais frequência.
Obrigado!
Beijões.

29/01/2007

OI AMIGOS!


Bom dia amiguitos, passei para vos dar beijinhos e dizer-vos que apesar de ausente não vos esqueço.
Daqui a nadinha vou estar de volta para continuar a falar-vos.
Os tratamentos estão quase no fim só me faltam dois graças a Deus e espero estar de volta muito em breve.
Beijos grandes para todos os que me tem acompanhado na minha odisseia e dado força para olhar em frente.
Gina

24/11/2006

AMIGOS!


Tenho que vos dizer que hoje estou um bocadinho mais feliz, passei por mais um ontem, e a todos vocês que me querem ver sorrir, vim dizer-vos que no fim sorri, de felicidade porque de 6 já só me faltam 4.
É uma sensação incrível, sentir-mos que pouco a pouco as batalhas vão sendo ultrapassadas.
Venho dizer-vos também a todos que me dão forças e lutam comigo, que já resolvi as minhas quezílias com Deus, mas que fique bem claro que o avisei, que só lhe perdoava mais esta prova.
Não lhe dava direito a mandar-me mais provas.
Que vos parece, acham que ele toma banhito todos os dias e tinha lavado as orelhitas???...
Hummmm espero bem que sim.
Rsrsrsrs, ai dele se me volta a falhar, vamos ter de ajustar contas
Beijinhos gratos e saudosos para todos.
Gina

09/11/2006

MOMENTOS DE PAZ...


28-10-06



Temos alturas na vida, em que pomos tudo em questão.
Hoje estou num desses dias.
Faz hoje 46 anos que nasci, e tantas dúvidas, tantas perguntas para as quais não encontro respostas.
Olhando para trás pergunto-me porque será que a minha vida se resume a isto, e se não terei direito a ser feliz.
Há 3 anos atras, começou a minha revolta, lembro-me que em conversa com a minha mãe, ela me ter dito, que era DEUS que nos punha á prova, para nos tornarmos mais fortes., não concordando muito com ela, desejei sair daquela prova com sucesso, e de facto consegui.
Curei-me do cancro da mama de que padecia. Perdi-a, mas sabia que era por uma boa causa, ficar boa e lutar por mim, pela minha filha, pelo meu marido, e por todos os amigos, que diariamente me davam ânimo e forças para lutar.
A vida começou a desmoronar, descobri que não sendo feliz no meu casamento, merecia sê-lo, devia isso a mim própria, lutei, dei a volta por cima, e fui á minha vida.
Em Maio deste ano, nova prova me surgiu, aí perguntei-me, quantas provas mais seriam necessárias, mas fui á luta, desta vez levaram-me parte do rim, passei por mais esta, estou aqui...
Quando pensava que o pesadelo tinha terminado, eis-me aqui, com mais uma, para enfrentar, pergunto-me quando terminará o meu pesadelo, ou, se alguma vez terminará?...
Se as provas, nos ajudam a fortalecer, porque será que cada vez me sinto mais fraca e com menos forças para lutar.
Sei que amanhã, a minha cabeça mudou, e vou levantar os braços, lutar e curar-me de mais esta prova.
Sei que amanha deixarei de ter pena de mim e vou á luta novamente.
Se ainda falasse, com o meu amigo Zé, que tem uma fé inabalável, perguntava-lhe, uma pessoa só, aguentar todas estas provas e continuara a acreditar, mas ele já não está presente na minha vida, já não me vai responder a isto, e as minhas dúvidas persistem.
Eu Gina, neste momento não tenho fé...
Eu Gina, hoje no dia em que faço anos, acho e tenho a certeza que mereço, não passar por tantas provas, e que se DEUS existe devia estar atento a quem necessita de paz...

17/10/2006



MEU AMIGO CARLOS


Esta semana vou ficar mais pobre, não porque a amizade termine, mas porque o meu amigo Carlitos vai para longe, muitos quilometros para longe de mim.
Sei que a amizade prevalece e permanece, contudo quero dedicar-te algumas linhas em nome do carinho que me dedicas, porque ele é imensurável e eterno.
Quero que saibas que onde quer que estejas, onde quer que eu esteja, vou sempre adorar-te pela amizade e ternura que me dedicas que nos dedicamos.
Carlos quero que sejas muito feliz, e que te sintas muito bem por essas paragens africanas, eu vou ficar por aqui, esperando que voltes e que a nossa rotina continue.
Espero por aquele café, que se bem sem ser ganho, aguardo já com saudade.
Boa viagem meu querido e, melhor regresso...
Eu por cá, vou tentar e conseguir tenho agora a certeza, arrumar os macaquitos do sotão, há e escusas de me trazer o macaquinho, porque depois destes arrumados nunca mais quero ouvir falar deles rsrsrs.
Beijinhos ternurentos amalucados e saudosos.

26/09/2006

Bom dia amigos!

Venho deixar-vos um beijinho e dizer-vos que neste momento não estou na melhor altura para escrever, falta de inspiração talvez.
Voltarei, só não sei ainda quando.
Fiquem bem todos e até ao meu regresso
Beijos

24/08/2006

VIAGEM PELO AMOR...Beijinho lindo...


Era uma longa, fria e triste noite de Março...
Susana sentia-se só, aquele pequeno ser que gerara alguns anos atrás, permanecia adormecida no leito atrás de si.
Havia muitos anos já que Susana se sentia assim só, apesar de ter alguém a seu lado, incapaz de preencher os recantos secretos da sua alma.
Os interesses eram diferentes, enquanto Susana ansiava por amor, ternura, compreensão, companheirismo e partilha, aquele que escolhera para partilhar a sua vida, dividia-a entre ela, a filha, o álcool e as ganzas.
Susana vivia um estado de torpor, entre o reconhecimento de que não era feliz e a falta de coragem de por um fim áquela vida semi-miserável.
A filha, ao fim de alguns anos de agonia, aceitou finalmente que aquela não era vida para ambas.
Era o estímulo que lhe faltava, Susana ganhou coragem e fugiu, abandonou a vida que não queria para elas.
Nessa noite fria de Março, Susana navegava pele Net, procurando amizades, alguém com quem conversar. Já tinha conseguido algumas com quem conversava com regularidade, mas nessa noite não tinha ninguém.
Vagueia por uma sala do aeiou, quando um simples "h" surge, vindo do nada.
Tinham bastante em comum, a mesma profissão, e foi por aí que foram desenvolvendo a conversa.
Dia após dia, a amizade foi-se consolidando.
"h" achava que devia dar uma oportunidade ao marido, Susana dáva-lhe as suas razões. Conversavam sobre tudo um pouco, até das suas crenças religiosas, que aparentemente não eram comuns.
Falaram durante muito tempo, Susana carente, ía-se envolvendo lentamente.
Um dia olhou para dentro de si, e pensou como era possível, que alguém que considerava um bom amigo, lentamente tivesse tomado conta do seu coração.
Não sabia o que a vida lhe reservava, mas não ía ficar no torpor da dúvida, da falta de luta. A vida até aquele momento havia sido madrasta com ela e Susana iria lutar até onde lhe fosse possível.
Susana só não sabia que um dia lhe iria faltar a coragem...
Entre troca de ideias, e esta tomada de consciência Susana encontrou-se com o objecto do seu amor, num lindo dia Maio em Fátima.
Foi um dia mágico, Susana jamais o esquecerá.
O encontro de ambos, foi lindo. Conheceram-se e pareciam dois adolescentes, no auge de um grande amor, as suas mãos procuravam-se, entrelaçavam-se ávidas do calor uma da outra.
Percorreram o Santuário, rezaram ajoelhados no mesmo banco.
Susana pedia auxílio para os momentos difíceis que se avizinhavam para ela, e pedia também que fosse feliz finalmente, que aquele ajoelhado ali a seu lado rezando, também a amasse da mesma forma.
Quanta ilusão Susana!...
Talvez naquele momento a Senhora te devesse ter dado um sinal, para que percebesses, que afinal aquele não era o homem da tua vida, não era a sua "Alma Gémea".
Era só o "h", um bom amigo mesmo, quantos disparates teria deixado de cometer, ou talvez não...
Entre troca de carinhos, beijos e uma tarde de paixão, Susana soube que o amava.
Não foi capaz de concretizar o acto supremo do amor, mas soube que aquele era o seu amor.
Á noite, já cada um no seu canto, "h" dizia-lhe que tinham feito bem em travar o desejo que tinham sentido e Susana sentiu-se feliz...
O tempo foi passando, aquele amor intensificado, pensava Susana.
Um dia rumou em direcção a Lisboa, e ao seu amor.
Ía em trabalho, mas sonhava com os momentos em que ía estar livre para aquele amor.
Susana não sabía, mas afinal o amor era e continuava a ser só seu.
"h" foi atencioso, mas também um pouco frio, muito aquém do que Susana sonhara, aqueles dois dias que sonhara inolvidáveis, afinal não o foram, antes sim uma desilusão, parcos e escassos foram os momentos que estiveram juntos.
Susana regressou á sua vida, com a sensação, que o seu sonho se esfumara.
Assim foi na realidade, "h" tornou-se frio e amistoso, meigo mas sem a paixão que antes o caracterizava.
Susana passou pelos momentos difíceis porque rezou em Fátima, com a angústia no coração, sabía agora que não ía ter coragem de lutar pelo seu amor.
A sensação de se sentir algo diferente das outras mulheres, tolhía-a, tirava-lhe a coragem de perguntar os porquês.
O porquê de tanta paixão numa tarde de Maio, o porquê da frieza depois, o porquê da indiferença de agora.
Susana não era capaz, perguntar implicava reconhecer que o amava, mas também que não era amada.
Hoje pergunta-se se alguma vez irá ter coragem, e sente que não.
Fora outrora, talvez 3 anos antes e Susana iría querer e lutar pelo seu amor, hoje não...afinal pouco tem para oferecer.
Susana continua o seu caminho e permanece só.

09/08/2006

PRINCESA...



Cai a noite devagarinho,
na penumbra do meu quarto, lembro de ti.
Já fui uma princesa, agora não sei que sou.
Queria-te perto de mim, sentir teu cheiro e teu odor,
Sou louca bem sei, sonhos proibidos e esquecidos que o tempo apagou.

Quizera ser teu amor, não consegui...
pergunto-me porquê, porque não consegui,
Lutaria por aquilo que almejei, e não fui capaz
serão os sonhos somente sonhos?
meras ilusões de quem não tem mais.

Poderias ter-me dado uma restea de esperança,
e lutaria por ti, assim na ignorância, no teu esquecimento
não sou capaz,
doi-me cada vez que me dizes que sou maravilhosa,
doi-me cada silêncio infindo...
cada palavra que fica por dizer.
cada pergunta que me fica, por fazer...

08/08/2006

DIÁRIO DE MARIA


10 - Cont.

Momentos de que ainda hoje se arrepende e tem vergonha, mas também aqueles que a ensinaram como era a vida,fora das quatro paredes do seu lar.
A mãe, aquela que Maria adorava, chorava quando passava noites fora de cas, sem avisar, só para os não ouvir.
Lamentou depois, e lamenta ainda hoje aquela sua atitude cobarde.
Aprendeu o que era a maldade humana, enquanto frequentava discotecas umas atrás das outras, várias na mesma noite, noites inteiras sem dormir.
As suas companhias nestas jornadas, era a Paula H. de quem se tinha reaproximado e o Zézito, esse camaradão que Maria recorda com carinho e amizade.
Ele tinha um Fiat 127 azul escuro, neles os três faziam altas noitadas.
Neste entretanto, mais 4 anos se passaram, Tó Mané continuava a procura-la, sem se querer convencer, que fosse verdade o fim daquela relação.
Maria sentia um prazer mórbido, quando o via atrás de si.
Se ele queria assim deixá-lo andar.
Cansou-se das discotecas e das noitadas, chegou a uma altura que repensou toda a sua vida, e sentiu que nada daquilo fazia sentido.
Maria tinha 26 anos, não queria namorado, nada que tivesse a ver com o bicho homem.
Era assim que pensava e nada a faria mudar de ideias, pelo menos era o sentía na altura.
Entrou para a Escola Superior de Educação, tirava a Carta de Condução, ao mesmo tempo, parar era morrer...
Deixou a Loja de Antiguidades, porque era mal paga e queria um futuro melhor, era ambiciosa aquela miúda.
Tinha então 28 anos. Arranjou emprego numa loja de Chocolates em part - time, num shopping da cidade, para poder fazer face ás despesas.
Entretanto foi chamada por um concurso para trabalhar nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
O emprego como Auxiliar de Acção Médica, não era grande coisa, mas permitia-lhe ganhar mais dez contos que ganhava na privada, e não exitou.
As folgas semanais permitiam-lhe frequentar as aulas, e a vida ía correndo, entre trabalho e escola.
Tó continuava a ir ter com ela e Maria iá-lhe falando, fosse por pena ou por falta de coragem de o mandar embora de vez, ou porque senti-se prazer em o ver "rastejar" atrás de si.

06/08/2006

DIVAGANDO



Hoje estou num dos meus dias de neura.
Ninguém me pergunte o que tenho, não sei ou talvez saiba.
Estive com a minha amiga sininho, e ela não estava bem.
Se ela não está eu também não o consigo estar. Levei-a á estação para ir ter com e seu amor, rumo ao Porto, fiquei com a sensação que não tinha cumprido o meu papel de amiga.
Nem sempre conseguimos chegar onde desejamos, e eu hoje amiga não consegui lá chegar.
Perdoa-me por isso.
Depois, o dia continuou e não me consegui sentir muito melhor.
Constatei que o meu amigo, estando ao pé de mim, queria levar-me para outro lado que eu não gosto, um pouco contrariada lá fui mas ele não apareceu. Talvez esteja a dar muita importância a algo que não a deve ter de certeza.
Depois para finalizar, comecei a lembrar águas passadas, a minha ida a Fátima num belo dia do mês de Abril, em que me senti uma mulher feliz.
Lembro da magia, que senti, da beleza daquela imagem a quem pedi, que me ajudasse, nos momentos dificeis que ía passar.
Nunca irei esquecer aquele dia, senti-me mulher, e que não estava sozinha.
Alguém estava comigo, alguém me dava ânimo para lutar e continuar com a minha vida.
Nunca irás saber a importância que para mim tiveste naquele dia, e nos dias que se seguiram, nos dias que estão a correr.
Nunca irás saber o quanto te amo, ou irei amar.
Vou lá voltar, claro que vou.
Agradecer áquela imagem a quem um dia pedi por auxílio, só que desta vez vou só

03/08/2006

DIÁRIO DE MARIA


9 - Cont.


Afinal aquele era o homem da sua vida, aquele a quem se entregara sem reservas nem pudores, por quem passara a vergonha de lhe saltar a janela do quarto, no lusco fusco das tardes de inverno, para estar com ele, com o temor e o receio de a mãe dele algum dia a encontrasse no quarto do filho, por quem passara pela vergonha de terem de chamar um carro de bois, para desatolar o carro, depois de uma tarde de amor, enfim aquele por quem passara a vergonha de ser apanhada pela policia, numa noite de fim de ano.
Aquele com quem cometera as maiores loucuras...Aquele deixa naquele momento de fazer parte da sua vida para sempre.
Maria olha para traz na sua vida e lembra os cinco anos da sua vida que morrem ali.
Reaproxima-se dos velhos amigos.
Paula H. era na época uma das suas melhores amigas, e dá-lhe provas disso.
Paula Maria já tinha cassdo com Pedro e tinha já um filho, a vida tinha-as afastado fisícamente, se bem que sentimentalmente a amizade continuasse.
Maria viveu momentos de desespero.
Jurou a si própria que a sua vida ía mudar radicalmente, que nunca mais iria acreditar em homem nenhum, e assim foi efectivamente.
Lutou contra o seu pai, quando este lhe dizia que não a deixava sair á noite.
Era quando ía mesmo, costumava dizer que tinha 25 anos e não ía ficar a chorar em casa por alguém que não a merecia..
Maria passou pelos momentos mais loucos da sua vida.

14/07/2006

REGRESSANDO...


Meus queridos amigos, estou de volta.
A vocês que me tem acompanhado nestes meus momentos menos bons, venho dizer-vos que regressei.
Agradecer-vos todo o carinho e ternura que me tem dedicado, porque amizades assim como as vossas, não se podem agradecer, mas apenas e só retribuir, espero e desejo do fundo do meu coração estar á altura.
Isto parece um contracenso mas não é.
Adoro-vos.
Quanto a mim quero dizer-vos que lentamente vou recuperando as minhas forças, para poder voltar para junto de vós como aquela Gina que sempre fui.
A operação correu muito bem, mas está ser um pouquito dificil a recuperação.
O meu rim ficou um bocadinho mais pequeno, mas também quem precisa de um rim inteiro.
O meu muito obrigado pelo vosso carinho e preocupação
E mais uma vez vai a verde, o verde da minha esperança...

13/06/2006

BOM DIA!


Queridos amigos.
Hoje não vou escrever sobre a minha amiga Maria, mas sobre mim Gina.
No meu percurso por esta vida, tenho passado por algumas batalhas, umas mais fáceis que outras mas sempre, com força e determinação para as vencer.
Ultimamente não tem sido fácil mas contínuo de pé, disposta e determinada, a que esta que tenho pela frente agora seja mais uma, e que brevemente possa dizer: "Porra, mais uma que já lá vai".
Só vos quero dizer, que vos levo a todos, no meu coração, e que de certeza, na hora em que estiver a entrar naquele lugar gelado, me vou lembrar de todos vós.
Porque todos voces são meus amigos, e vos amos a todos.
A ti filhota, só consigo dar-te aquele beijo de amor que me enche o coração.
Amo-te minha querida.
Ruizito, meu lindo este vai a verde quer tu gostes, quer não.

07/06/2006

DIÁRIO DE MARIA


8 - Cont.

Maria passou para o 12º ano, foi frequentá-lo no Liceu José Falcão á noite.
O tempo era pouco para estar com Tó Mané, e ele distanciava-se. Já não podia ir ter com ele á faculdade, porque trabalhava de dia e estudava á noite. Ao fim de semana dava-lhe desculpas para não se demorar, as frequências pagavam sempre.
Um dia entrou-lhe pela loja dentro, uma senhora mais velha que ela uns 6 anos, queria falar-lhe!...
Dizia-lhe que já á algum tempo que namorava com Tó Mané, e que lhe haviam dito que ele tinha uma namorada há alguns anos.
Sentiu uma dor tremenda no peito, as suas dúvidas confirmavam-se.
Afinal a colega de que lhe falava e com quem ía estudar matemática, para justificar o que os amigos lhe diziam, não era mais de que uma viúva, com um filho de 5 anos, e que nem sequer andava na faculdade.
Era-lhe indiferente o estatuto da dita senhora.
Maria ficou revoltada, não só pelo engano, pela traição, mas sobretudo pela mentira...
Ficou de falar com a senhora mais tarde.
Quando chegou, perguntou-lhe directamente se tinha outra.
Tó chamou-lhe tola, que só a tinha a ela, que íam casar.
Doeu-lhe o coração, sentía que aquilo não ía ser verdade, se depois de fazer o que a sua alma engendrava, concluísse que lhe mentia, era o fim.
Tó foi embora, certamente para os braços da Matemática.
Maria, ligou para a senhora.
Nessa noite faltou ás aulas, a senhora morava duas ruas ao lado do liceu que frequentava.
Maria, bateu á porta, e foi levada para uma sala impessoal, toda ela tremia.
A esperança de não ser verdade, lutava contra a quase certeza de o ser.
Aguardava firme.
Passado algum tempo, não muito, alguém bateu á porta, o coração deu-lhe um salto no peito.
Foram os minutos mais longos da sua vida, entraram na sala, Tó abraçando a senhora, beijando-a na face.
Ficou petrificado, incrédulo quando a viu...
Maria, com uma tristeza imensa, em si, só conseguiu perguntar-lhe:
"- E agora, ainda sou doida, ainda é mentira?"
Saíu porta fora desesperada. Chorou amargamente.
Fez o caminho de regresso até ao autocarro, 4 km a pé, em que não sabía por onde ía, em que não via, nada nem ninguém.
Tó veio atrás de si, implorava-lhe que subisse para a mota, mas ela nem o ouvia, tal era o desespero.

02/06/2006

Um pedaço de mim...


Um pedaço de mim,
está por aí...
Não sei por onde, porque o perdi.
Não chamei por ti...
Meu céu raiado de azul.
Gritas-te por mim!
Ouvi-te...
Lancei meus raios azulados sobre ti.
Desde esse dia não mais nos largámos.
Eu era a tua princesa, tu o meu carinho.
Saber-te aí bastava-me.
Mas já não sei onde estás...
Perdemo-nos pelo caminho...
Não te pedi amor.
Não te posso pedir,
Aquilo que não tens para me dar.
Promessas foram feitas...
Se algum dia os nossos passos se desviarem...
Uma amizade linda, permanecerá...
Pergunto-te por ela...
Onde está???