29/04/2006

PARA TI AMIGA!
Paula H.
Depois de ter lido os teus comentários no meu blog, sininho, passei ao teu.
Decidi que o texto que me dedicas-te, merecia uma resposta, não no teu, mas aqui no meu cantinho.
Nada na vida acontece por acaso, sou e tenho provas disso efectivamente.
Ontem de manhã, depois de sair do local onde fui, precisava de um amigo, de uma amiga.
Não de amigoas casuais, que nos dão duas tretas e ficamos na mesma, por algum motivo me lembrei de ti, lembras? "Nada acontece por acaso..."
Não se pode conquistar algo que já foi conquistado amiga.
No meu coração sempre esteve um cantinho que te pertence.
Isso faz-me lembrar, um comentário que fiz ao meu amigo Rui uma vez, em que lhe dizia, que um cantinho no meu coração era dele, para todo o sempre, na altura achei que era a pontinha, porque estava lá aconchegadinho.
Imagino que o meu coração está dividido em vários cantinhos, bastantes espaços que cada um de vós ocupa e tem carácter de defenitivo. Nunca mais ninguém irá ocupar o que vos pertence por direito.
Quando muito, novos serão criados e vocês vão ter de se apertar mais um bocadinho.
A vida e as circunstâncias foram-nos separando, mas o teu cantinho nunca foi ocupado, está cá, vivo e presente, reavivado por cada vez que me lembro de ti, por cada vez que nos encontramos e voltamos ao nosso tempo de jovens malucas e por vezes um tanto ou quanto irresponsáveis.
Precisei de uma amiga ontem, e foi de ti que me lembrei, por isso deixa-te de lamechices, que está na altura de ambas recuperar-mos o tempo perdido.
Vê lá vê, não te ponhas a contar as nossas "Safadezas", no teu blog senão vou acabar encravada, é que as nossas nunca as contei num confessionário onde fui obrigada a ir e só contei algumas ehehehe.
Adoro-te miúda.

21/04/2006

DIÁRIO DE MARIA

4- Adolescência (Cont.)

Um dia quando menos esperava, um grupo de colegas de turma aproximou-se dela.
Maria nunca percebeu, se tinham sentido pena dela, se por gostarem dela.
Foram-se aproximando e ficando.
Eram extraordinários, começava novamente a sentir-se feliz.
Nesse grupo Maria encontrou a sua melhor amiga, Paula Maria, ainda hoje é uma felicidade quando se encontram.
Apesar da vida as ter separado, pelas profissões e formas de vida, Maria sente a amizade que as uniu presente, quando se encontram para tomar um café e simplesmente conversar.
Do grupo faziam parte, a Paula, a Teresa, o Pedro, o Vitó, a Fernanda e mais alguns que nunca mais a deixaram só.
Maria era feliz, pelo menos enquanto estava no Liceu, porque quando chegava a casa, a dor começava, refugiava-se na irmã Claúdia, na altura com 4 anos, que era a sua alegria.
Quando estava no fim da gravidez, Ana regressou finalmente a casa.
Pode assistir ao nascimento da sobrinha Sandra de quem veio a ser madrinha, era linda aquela menina.
Maria amava-a profundamente, sentia-se também um pouco sua mãe, afinal ajudava a criá-la. Passava horas, noites acordada com Ana, quando a menina não dormia, e se Sandra era chorona.
Passavam noites inteiras a passea-la ao colo, para que os pais pudessem descansar, afinal tinham de se levantar cedo para irem para o mercado.
Ana começou a trabalhar numa fábrica de tecidos para ajudar nas despesas da filha, Maria lamenta que a irmã não continuasse a estudar, porque era inteligente e poderia ter ido longe.
O pai foi intransigente, não permitiu que o fizesse.
Maria continuava os seus estudos, e até ao 9º ano, continuou com os amigos, que sempre a acompanharam. Passavam todos os momentos juntos, faziam farras nos feriados, o único senão é que nas idas ao cinema, ou passeios de fins de semana, o pai nunca a deixava ir.
Depois da gravidez de Ana, o pai que já antes era rígido e austéro na sua educação piorou substancialmente.
Paula começou a namorar com Pedro, com quem veio a casar, os restantes do grupo namoravam também e Maria sentia-se muitas vezes a velinha.
Passado algum tempo o Vitó pediu-lhe namoro e ela aceitou, era a única que não tinha namorado. sabia que não gostava muito dele, mas quem sabe o tempo não a ajudaria a tal.
O 1º beijo, aquele que Maria sonhava que iria ser único, inolvidável, afinal foi uma desilusão, nunca percebeu se foi por não o amar, se pela expectativa em torno desse momento fosse extrema, o que é certo é que passou por esse momento indiferente.
O namoro não durou muito tempo, uma semana .
Quando Vitó a beijava, chamou-lhe Joana. Maria mandou-o ir beijar a Joana e por ali ficou algo que nem devia ter começado. Maria tinha 16 anos.
Acabava o 9º ano, mudou de liceu, porque Paulaía para o 12º, ela tinha ficado pelo caminho.
Paula gostava de estudar, o seu sonho era ser advogada, e realizou-o. é hoje uma da praça Coimbrã.
Voltando atrás, Paula mudou de Liceu, foi para o José Falcão e Maria que ía para o 10º seguiu-a, afinal era a sua melhor amiga, era-lhe indiferente fazê-lo num ou noutro, não contava era que ficassem separadas geográficamente o que veio a acontecer.
O 12º era dado numa dependência externa ao Liceu, e lentamente a separação entre as duas foi inevitável.
MARIA voltou conforme prometido.
Espero não vos defraudar no meu relato de alguém que prezo

03/04/2006

CAMINHANDO


Com passos curtos, alguém vai caminhando e tomando o seu rumo.
Cada passo é uma conquista.
Vê-se uma luz ao fundo do túnel, que cada vez mais ilumina seu caminho.
Encontrei Maria que me pediu, para continuar a contar a sua história, pois não quer que morra ali.
Também uma Katy_Safaditah mo pediu, e não a vou defraudar.
Quem sabe não será uma ajuda para que consiga entender as razões da minha amiga Maria, e das opções que nós mulheres temos por vezes de fazer, para continuarmos de cabeça erguida a levar a nossa vida para a frente.
Um homem na nossa vida deve representar, um complemento para a felicidade, nunca um projecto de vida, nunca a única base de suporte para que tal aconteça.
Para além deles, "Homens", existimos nós, com os nossos desejos, com os nossos quereres, que não podemos nem devemos aniquilar, em função deles.
Para além deles, existem os nossos filhos, a quem temos o dever de tornar felizes, neste projecto entramos nós mulheres, e eles homens, porque a isso nos comprometemos.
Sem querer divagar, venho dizer que a "Maria" vai voltar.
A todos vós que me têm acompanhado neste meu pequeno percurso, o meu muito obrigado.

13/03/2006

VOLTANDO AO " DOCE VITA...."
Á dias escrevi algo que me sucedeu numa visita minha, para tomar café, neste novo Centro Comercial.
A conversa das duas irmãs, martela-me na cabeça a toda a hora.
Depois de situações por mim vividas recentemente, ainda mais, aquela conversa me martiriza.
Terminava o meu relato, com um pensamento muito meu. "...E tenho a certeza também que quero ser feliz todos os dias da minha vida."
Efectivanmente, e muito devagar vou trilhando o meu caminho, uns dias melhor, outros nem por isso, mas sei que estou a dar os meus passos, e os passos estão certos.
Ser completamente feliz é impossível, ainda mais para mim, que sou uma pessoa insatisfeita por natureza.
No entanto a nossa busca enquanto seres humanos, é trilhar o nosso caminho, e procurar a nossa própria felicidade.
Nesta altura da minha vida, tenho consciência e sei, que ficar com migalhas, não me ajuda, nem me faz feliz.
Já passei por este filme, tempo demais.
Durante muitos anos, fui-me anulando a mim própria, ficando com as migalhas de um amor egoísta, egocêntrico, e acomodei-me.
Por uma ou muitas razões, foi acontecendo
Hoje que me libertei desse estado de torpor, não o quero mais para mim.
Quero tudo ou nada, porque só o tudo me deixa feliz, e o nada...ora o nada é mesmo nada.
Já basta de migalhas.

23/02/2006

HORA DE ALMOÇO


Estou aqui sozinha, na minha hora de almoço e dei comigo a abrir o meu blog, onde já não escrevo á muito tempo, seja por falta de inspiração, seja porque a minha vida está a levar um rumo inesperado por mim e tenha tanto para dizer que talvez não consiga e as ideias se atropelem.
Tudo na vida de uma pessoa, surge por um motivo qualquer, por uma razão consciente ou não que nos leva a fazer ou agir de dada forma.
Influenciada por um amigo, criei este blog, lembro que nesse dia foi uma luta porque não percebia nada de blogs, e não conseguia cria-lo. Quando me pediram um nome para ele pensei e agora...Lembrei-me do sozinha na ilha, porque era como inconscientemente me sentia de facto.
Sozinha, muito sozinha. Com um mundo de gente á minha volta, mas de facto só porque algo faltava na minha vida.
Amigos não era, tinha poucos mas bons, que como costumo a afirmar é a medida certa. Trabalho tinha, uma filha adorável também.
Pensava eu que tinha tudo para ser feliz, mas acho que não, aliás acho não tenho agora a certeza.
Depois pedem-me uma palavra passe, mas quando fui para abrir o blog, algo tinha falhado, lá fui eu chatear o meu amigo inspirador, mas ele não me podia, nem conseguia ajudar.
Assim sendo, tinha que me safar sozinha... e depois de muitas tentativas, e não me perguntem como nem porquê, consegui entrar nele com o endereço de andandonaareia...e aí surge-me uma nova pergunta porquê este, podia se Maria
Ricardina ou afins.
Neste momento vejo que tem tudo a ver comigo.
Uma das coisas que sempre adorei foi ir á praia, não no verão como a maioria das pessoas, mas no inverno quando está sem ninguem, transmite-me paz, calma, tranquilidade, adoro ouvir o bater das ondas, sem a algazarra de pessoas a conversar, de miúdos a grita, enfim em paz., mas adoro também passear á beira mar, nessas alturas, caminhando sem destino como que procurando o meu...
Por isso concluo, que sentindo-me tão só, procurava o meu caminho.
Acho, mas acho mesmo, que hoje me está a dar para a nostalgia.
E posso afirmar, que estou a tentar encontrá-lo, quem sabe um dia destes não mudo, e deixo "andandonaareia" e passo a "finalmenteempaz"
Gina

02/02/2006

"DOLCE VITA" - Mais vale...


Há dias enquanto fazia horas para ir buscar a minha filha á escola, resolvi ir tomar um café a um shopping novo que abriu aqui em Coimbra.
Até o nome do shopping se torna caricato no relato que vou fazer e nas minhas considerações sobre ele. "DOLCE VITA".
Fui buscar o meu cafézito e sentei-me numa mesa a ler uma revista qualquer que tinha comprado momentos antes, para me ajudar a passar o tempo.
Ao meu lado porém, numa mesa estavam duas senhoras mais ou menos para a minha idade, não eram parecidas mas via-se que eram irmãs, pela forma como se tratavam.
Uma delas, de cabelo curto e encaracolado, lamentava-se, ou desabafava, pela vida que levava em casa, pela sua falta de coragem de levar por diante, algo que lhe fervilhava na cabeça havia algum tempo: "Mandar tudo ás urtigas e seguir em frente só com a sua filhota".
Aquela conversa tornava-se bem mais interessante que a minha revista. Que me perdoem as duas senhoras.
Era uma conversa banal, que ouvimos quase diáriamente, mas o que me surpreendeu, foi a resposta da suposta irmã: "Olha para mim rapariga! Mais vale um dia de felicidade, que um mês de sofrimento. Eu sou o exemplo disso mesmo"
Aquela frase mexeu comigo.
Era indiscutível que dor e sofrimento são impensáveis, não há ser humano que aguente, assim sendo, há que acabar com as amarras e seguir em frente, libertarmo-nos do objecto da nossa dor e seguir em frente.
Isto ninguém dúvida, penso eu, só é necessário que as pessoas tenham consciência disso e tenham coragem para andar para a frente.
Agora a 2ª parte daquela afirmação, realmente baralhou-me:" Mais vale um dia de felicidade"
Visto da forma como foi dito, é indiscutívelmente verdade.
Foram embora as duas, continuando aquele diálogo, a mim apetecia-me segui-las, entrar naquela conversa, que não me dizia respeito, mas estava estava a mexer com os meus pensamentos, e o meu sentir.
Permaneci quieta com os meus pensamentos.
O que é válido para alguém pode não ser para mim, ou para todos.
Ser infeliz é algo que ninguém deseja para si, um mês de 30 dias, são muitos dias de infelicidade.Um dia de felicidade são 29 de infelicidade, até aí menos mal.
Mas nós seres humanos, pela nossa própria condição, somos uns eternos insatisfeitos, perguntava-me se depois de conhecermos um dia de felicidade, no meio de 30, nos vamos contentar, se vamos ficar satisfeitos e acomodados.
Pensei para com os meus botões, aquela senhora não deixava de ter uma certa razão. Mais vale um que nenhum, mas por outro lado, será que mais dia, menos dia, aquele dia de felicidade não voltaria a ser mais um de infelicidade, quando só um já não bastasse.
Ainda hoje me debato com este pensamento.
Ainda hoje não consegui encontrar resposta para aquele embróglio...
Afinal de uma coisa tenho a certeza.
Nem sempre o que é válido e aceitável para uma pessoa o será para uma multidaõ....
E tenho a certeza também que quero ser feliz todos os dias da minha vida, porque a isso tenho direito.

26/01/2006

INVOLUNTÁRIO...
No post de ontem, esqueci duas pessoas que não posso esquecer de forma alguma e que pela sua importância, vou hoje citar, uma delas o meu amigo Pensador, com quem comecei a falar e andavamos sempre ás turras, até que ficamos os melhores amigos, tem um espiríto um pouco complicado, mas só até conseguirmos entender a sua forma de estar e Pensar...hoje posso dizê-lo será um amigo para o resto da vida, a outra a Vulcana, que tal como o nome indica é um autentico vulcão, ainda lembro com muita saudade quando nos juntavamos as tres. Zadora , Lili e Vulcana, numa certa salita, era de arrazar,
acho que pensavamos quase da mesma forma as tres, e quando alguma falhava , já não era a mesma coisa.
Para vós meus amigos o meu beijo terno e amigo

25/01/2006

HOJE!!!

Não sei porque, ou talvez saiba...sinto-me como se o mundo desabasse em cima de mim.
A solidão doi, magoa, e estou num desses momentos. Sinto-me só.
Apetece-me escrever e por incrível que pareça, até as palavras custam a sair.
Não saem pura e simplesmente.
As saudades que sinto, de uma Dana brincalhona, de uma Caneca que teimava em não ter cacos, de um Fade brincalhão e letrado, de um Sennick divertido, de uma Vampira doidinha por morder um pescoçito, de uma Leoa que teimava em não ter Juba, de um Look bem apresentado, de um Zé cabra doidinho pra saber as medidas de todas as meninas, de uma Zadora arrumadora de carros que tenho todos os dias a melgar-me o juízo, de um Reebock com cheirinho a sapatilha mas muito terno, levam-me á nostalgia.
Todos vôces meus amigos, fizeram parte da minha vida, mas sobretudo estiveram presentes, nos momentos em que mais precisei de amigos
Vocês foram os meus companheiros por muito tempo.
Sinto profundas saudades vossas.
Só quero dizer-vos que vos amo.
Que me perdoem aqueles que involuntáriamente possa ter esquecido.
Beijos de gratidão e saudades para todos

19/01/2006

"CATARINA"
Vou escrever, não sobre a Maria, mas sobre mim, sobre o que este nome representa na minha vida.
Fez esta noite ás 5.50h que nasceu o ser que viria a tornar-se a menina mais importante da minha vida.
Dei-lhe o nome de Catarina Isabel e por mais curioso que possa parecer este nome vai-me perseguindo.De entre as pessoas que considero amigas de verdade, conta-se a minha Caty. Tornou-se importantissima para mim apesar dos milhares de km. que nos separam, esta foi para ti Dana, a minha modesta homenagem, tu sabe-lo eu sei que tu o sentes amiga foi o meu fascínio pelas Catarinas que nos ligou ainda eu não sabia que o eras
Para ti o meu beijo.
Voltando á minha Catarina, faz hoje 13 anos que olhei para aquela bolinha de carne que me puseram nas mãos e pensei, amor a partir de hoje és a minha Rainha, por ti serei capaz dos maiores sacrifícios, das maiores privações das maiores negações por mim própria.
Tenho conseguido, umas vezes fácilmente, outras em que penso se valerá a pena, outras em que penso se será o melhor para ela, mas tenho-me esforçado por não faltar á palavra dada.
Alturas á em que penso, então e eu, os meus desejos, os meus sentimentos, mas olho para aquela, hoje grande bolinha de carne e penso, valeu a pena sim...és o maior amor da minha vida.
A Catarina é a minha obra prima, não é para me gabar, mas ela é linda, meiga, terna, boa amiga, boa aluna. A filha que qualquer mãe desejaria ter.
Não sei se vou conseguir manter a palavra dada para o resto da minha vida, afinal também sou de carne e osso, só quero que saibas meu amor, que acima de tudo, tu és o mais importante da minha vida
Amo-te muito
P.S. O verde é em tua homenagem minha querida

18/01/2006

INSPIRAÇÃO...FALTA DELA.


Hoje quando vinha trabalhar, pensei no meu blog, e no tempo que passou desde que escrevi pela última vez.
Perguntava-me porque será ke não escrevo, sinceramente não cheguei a uma conclusão.
Será falta de inspiração?
Será porque me cansei de contar a história da minha amiga Maria, e ela que me perdoe.
Será porque sinto que não tenho o direito de expor a sua vida desta forma?
Será que ela já não tem coragem para me falar dela da mesma forma?
Não sei... só sei que neste momento, não sinto vontade.
Quem sabe qualquer dia...

23/12/2005

NATAL


Alguém me disse que escrever, me fazia ficar diferente, mais calma, mais tranquila.
Será talvez da época que se aproxima, será...talvez não sei.
Vou contar os Natais de Maria, falou-me neles à dias e algo me tocou, neste relato.
Os avós maternos de Maria eram do Norte, eram porque já não estão entre nós,
mais própriamente de Viana do Castelo.
O avô era comediante, trabalhava de malabarista, acho eu, num circo, a avó acompanhava-o pelo país fora, com as filhas atraz.
Numa das suas passagens por Coimbra, levantou arraiais e foi-se sozinho abandonando a senhora com as quatro filhas nesta cidade, onde não conhecia ninguém.
A pobre senhora jurou para si própria que se fora esta a cidade a escolhida para a deixar seria nela que iria viver com as suas filhas.
Era determinada, trabalhou a dias para as senhoras da Alta Sociedade Coimbrã.
Lavou-lhes as roupas no rio Mondego usual na época da Segunda Guerra Mundial.
Foi mãe e pai daquelas meninas que não tinham pedido para vir ao mundo, mas que tinham de sobreviver.
Todas elas fizeram a primária até á 3ª classe porque não dava para mais, foram trabalhar cedo para as senhoras e mais tarde para fábricas de tecidos locais.
Casaram todas menos a mais nova que entretanto com 30 anos cegou.
Cãndida a mais velha teve duas filhas, Virgínia a do meio teve dois rapazes e Alice a mais nova, mãe de Maria teve 5 filhos, dois rapazes e três raparigas.
Maria recorda com carinho os Natais em casa da avó, onde se juntavam todos, avó ,filhas, genros, netos e netas.
Aquela senhora que se vira só com as suas 4 filhas, tinha agora a casa cheia.
Era uma algazarra imensa por aquela casa.
Ficavam até altas horas da noite, na conversa, e eram felizes, porque estavam juntos naquela noite especial.
Com o passar dos anos, por um motivo ou por outro, foram-se afastando, sobretudo porque o pai de Maria, que tinha um feitio bastante difícil deixou de querer ir. Não fora serem 4 filhos e aqueles natais seriam uma tristeza.
Ana teve duas filhas, Rui, um casal, Maria uma e Claudia não teve filhos, devido a uma doença de que padece, encontravam-se todos os anos pelo Natal em casa de Alice. A festa continuava.
Maria casara e passava um em casa dos pais e o seguinte em casa dos sogros, arranjava sempre tempo para passar em casa dos pais uma vez que os sogros íam cedo para a cama, e lá ficavam eles em amena cavaqueira nos comes e bebes até altas horas, estavam juntos e isso deixava-os felizes.
Não importava que as prendas não fossem muitas, havia para os pequenitos e isso bastava porque os deliciava, ver os petiz a abri-las.
Maria confidenciou-me que hoje o Natal não lhe diz nada, o marido não quer ir para lado nenhum, ficam os três em casa sós.
Disse-me que não há Natal agora, em que as lágrimas, não lhe saiam pelos olhos, quando se lembra dos Natais da sua meninice e nos pais em sua casa com os irmãos.
Perguntava-me no fim deste relato: Porque será que o Natal não é para todos ?
Vou estar contigo Maria, o meu pensamento vai estar contigo amiga.
Este vou fazer-te companhia a todas as horas com o meu pensamento.

13/12/2005

O DIÁRIO DE MARIA

3 - Adolescência

Tinha 14 anos, continuava magricela, enfezada e feia, pelo menos era assim que se sentia. quando olhava para Ana e a via, bem formada, bem morena, cabelos e olhos negros, linda de morrer.
Enquanto Ana tomava atitudes de adolescente, olhava os rapazes como tal, Maria continuava infantil, lembra-se de descer a ladeira da Rainha Santa aos pulinhos á frente da irmã, enquanto esta barafustava com ela. Pedia-lhe para se comportar, porque lá em cima estavam os militares e parecia mal ela de saltos altos e mini-saia acompanhar uma miúda aos pulos atrás de si.
Maria sentia um prazer mórbido em a contrariar.
Chegou aos 14 anos da mesma forma como passou pelos 13, 12 e 11. Era infantil e gostava de ser assim, sentia-se bem na sua pele de menina, sem as frescuras da irmã.
Foi nesse estado de espírito que a sua vida levou uma reviravolta de 180º.
Ana apareceu grávida. O pai de sua filha, era um vizinho de 23 anos, que se recusou a assumir a paternidade da bébé. Foram momentos dolorosos e de angústia.
Ana abandonou a escola, rumou ao Entroncamento para casa da cunhada, com quem entretanto o irmão que andava na tropa se íria casar.
Os pais esses queriam poupá-la á vergonha de ser mãe solteira.
Pensaram ser o melhor para ela, retirá-la do ambiente promíscuo do falatório dos vizinhos. na época uma míuda engravidar sem ser do namorado, e ainda por cima o dito recusar a paternidade era algo de desvastador.
A mãe solteira era um estigma que ficava para sempre.
Maria sentiu-se só e abandonada, ficava sem a grande amiga e confidente, a mãe chorava a mágoa, o pai gritava por tudo e por nada, Maria ficava cada vez mais sozinha.
Lembra de ir para o liceu e passar intervalos e feriados inteiros, sozinha, sentada no chão, encostada aos muros da escola, completamente só, as lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo enquanto lembrava os gritos do pai, o choro da irmã que partia. A revolta era imensa, não era justo.
Quando a vida finalmente lhes sorria, algo deitava tudo a perder.
A felicidade é efémera, tomava conciência disso.
Sentia falta da irmã, não tinha amigos, ninguém com quem conversar e desabafar as suas mágoas.
Alturas havia em que no liceu, ía para a casa de banho, trancava-se lá dentro enquanto durava o intervalo, tinha vergonha de a verem sempre só, era a sua defesa, a sua forma de se resguardar dos olhares maldosos dos colegas.
O tempo foi passando, a mágoa e a dor atenuando.

06/12/2005

Férias


Maria sentia-se cansada. Foi de férias.
Disse-me, que precisava de uns dias só para ela.
O destino das férias, uma ilha que possui, ninguém sabe onde, algures nesse mundo, mas que é só sua.
De vez em quando, Maria isola-se, adora ir para a sua ilha e fazer o que lhe apetece.
Construíu uma cabana, que é o seu refugio. Adora passear com passos calmos, estender-se na areia e olhar o céu, de um azul límpido, que no horizonte, se junta o mar. Só na sua ilha Maria sente paz, o bater das ondas na areia, o barulho das gaivotas, dá-lhe tudo o que a vida lhe tem negado, calma, sossego, felicidade.
Á noite, saía da cabana, deitava-se na areia e olhava o céu, as estrelas, em cada uma sentia a companhia de um amigo, adorava imaginar que cada uma era um e dáva-lhes os seus nomes.
De vez em quando Maria mostrava a sua ilha aos amigos mais chegados, entre os os quais eu. Deliciei-me a olhar para aquela paisagem.
Perguntei-me como era possível alguém ter um local tão lindo, tão cheio de paz onde se refugiar, senti inveja.
Era o seu porto seguro, dizia-me.
Confiava que ninguém conseguia lá chegar, pois ninguém conhecia o caminho, entre ela e o mundo existia o mar imenso, difícil de transpor.
Um dia alguém a seguiu, sem que desse por ela, devagarinho, lentamente, foi invadindo o seu espaço.
Maria sentiu a ameaça pairar no ar. Que faria agora? Continua a sentir-se só, mas de vez em quando uma luz, forte aparece no seu horizonte.
Ainda hoje não sabe a resposta, por isso foi de férias, precisa de por as ideias no lugar.
Disse-me que quando voltar, vai trazer as ideias no lugar.
Espero que sim amiga....
Boas férias, descansa...

30/11/2005

O DIÁRIO DE MARIA
2 - Pré Adolescência (Cont.)
A entrada de Maria no Liceu D. Duarte, teve repercursões devastadoras na sua vida.
Sentiu-se completamente desajustada com todo aquele cenário de pós-revolução. O 25 de Abril de 1974, trouxe ao ensino enormes mudanças. Tudo o que antes era proíbido, passou a ser palavra de ordem, nomeadamente, faltas de educação, permissividade e afins. Sentia-se desajustada, entre aquela nova realidade e a educação rígida dada pelos pais.
A irmã Ana, tinha já o seu grupo de amigos, era uma bela moçoila. Nos seus 13 anos era já uma mulher formada. Maria pelo contrário era magricela, enfezada, ficava sempre na sombra de Ana.
Ana a adorada, Maria a ignorada, era assim que se sentia, o patinho feio.
Foi-se isolando cada vez mais.Passava longos momentos sozinha, sem falar com ninguém, mas também ninguém dava por isso.
Por essa altura, apaixonou-se pela primeira vez, por um dos amigos da irmã.
Vítor era lindo, um belo rapaz, que a fazia sonhar com momentos de ternura e amor, sonhava com ele a dormir e acordada. Vivia para aquele amor. Cada momento passado a seu lado era um sonho.
Pobre inocência, algum tempo depois, Vìtor abandonou o liceu. Engravidara uma míuda que trabalhava na fábrica, e teve de se fazer á vida. O sonho de Maria acabara mesmo antes de começar.
Quando tinha 10 anos, sua mãe fizera um ultimato ao pai: "Ou deixas de beber, ou eu deixo-te. levo os meus filhos comigo e vou embora. Já não suporto aturar-te mais as tuas bebedeiras. Escolhe, mas escolhe rápido"
...E o pai escolheu: " Vou fazer o tratamento, mas tens de deixar vir outro filho para o lugar do Francisco"
A mãe concordou,, e o pai lá foi direitinho ao Sobral Cid, única instituição, onde na época se fazia desintoxicação alcoólica.
Dessa altura, a única lembrança que Maria guarda, é de ir a pé kms. com a mãe, para o visitar e lá chegadas o ver numa atitude apática e alucinada, sentado, a cabeça quase em cima dos joelhos, sem dizer uma palavra. Era deprimente, andar tanto a pé para o ver, e nem uma palavra lhe ouvir.
Na volta fizeram o caminho a pé novamente, a mãe não tinha dinheiro para o autocarro, mas tinha muita esperança no futuro.
Foi a única vez que a menina foi ver o pai.
Conforme as semanas foram passando, iam-lhe permitindo ir passar os fins de semana a casa. Quando voltava eram-lhe feitas análises de controle. todas deram negativas para alegria daquela família, que teimava em levar uma vida de gente...
O pai de Maria não voltou a beber. No último fim de semana de ida a casa, sua mãe engravidou. Cumpriu a promessa.
Rui o mais velho tinha já 19 anos e Maria a mais nova 11.
Todos ficaram muito felizes, aquele bébé era o fruto da promessa e da redenção do pai.
Finalmente íam ser uma família de verdade.
A benjamim da família, chamou-se Cláudia, era a alegria de todos. O pai olhava embebecido para ela, mais ainda porque herdara o espírito brincalhão e divertido do falecido irmão.
Ana e Maria, tinham agora uma boneca de carne e osso para brincarem, eram felizes.
Os pais lentamente íam recuperando financeiramente, construíram uma casa, podendo elas abandonar, aquela velha casa que fedia a ratos e com paredes a desfazerem-se.
Abençoaram e agradeceram aquela irmã, fruto da promessa e da esperança.

08/11/2005

O DIÁRIO DE MARIA

2 - Pré-Adolescência


Decorria o ano de 1974, Maria passou do Ciclo para o Liceu, era uma miúda algo fechada que sentia bastante infeliz, pensava muitas vezes porque tinha que ser assim, tentava mudar, mas a tristeza nos seus olhos viera para ficar.
Um ano antes, fora com a sua mãe a Lisboa, levar o pai que partia para Moçambique. Era desejo de sua mãe mudar de vida e que melhor que mudar tudo de raíz. O pai arranjara emprego, num talho.
Lembra-se de ir ao Aeroporto leva-lo e ficar admirada com a imensidão da cidade Lisboeta, em comparação com a sua: que monstruosidade. Foi a casa de uma tia paterna que vivia para os lados de Xabregas, e ficou espantada com a altura daqueles prédios.
Entretanto a mãe foi arranjando as coisas para irem ao encontro do pai. Comprava malas, roupas frescas porque em Moçambique fazia calor, tudo o que lhes fazia falta para embarcar naquela aventura. Andavam todos excitadissímos com a prespectiva de uma vida melhor, largariam aquela casa velha, cheia de ratos, com as paredes a cair cada vez que se encostavam.
O sonho comanda a vida, e eles, pobres deles sonhavam, até acordados.
Passados 2 meses da partida do pai, Maria ouviu bater á porta e foi abrir, qual não foi o seu espanto, quando deparou com o pai na sua frente. Justificação dada a sua mãe foi a mais extraordinária possível: "O Vinho em Moçambique era muito caro, não se podia chegar-lhe"
Assim morreram os sonhos , de uma vida melhor de todos aqueles que a ela tinham direito

07/11/2005

O DIÁRIO DE MARIA

1 - Infância

Maria nasceu no seio de uma família pobre. Tinha três irmãos, dois rapazes os mais velhos, Rui e Francisco.
Maria era fruto de uma separação, seguida de reconciliação, por parte dos pais, não fora ela 15 meses mais nova que Ana.
Sempre se sentiu, como o fruto que não devia ter crescido naquela árvore, o patinho feio da família.
Maria foi criada, no mercado local, onde os pais tinham um talho de carneiro e porco. Lembra-se de ainda pequenina, a mãe a levantar da cama bem cedo, a levar ao colo, e lá chegadas, lhe fazer a cama em cima da salgadeira para que pudesse continuar o seu sono.
Filha de pai alcoólico, sempre admirou a mãe por ser, o leme firme daquele barco, prestes a afundar em qualquer momento.
As suas brincadeiras eram feitas com Ana, uma vez que o pai, de temperamento rígido e autoritário, não lhe dava espaço ou permitia brincadeiras com outros míudos da sua idade
Assim foi crescendo, entre correrias pelo mercado e brincadeiras com a irmã Ana que era a sua melhor amiga.
Maria entrou para a escola, para ela era um suplício, não gostava de lá andar, de espírito entre rebelde e meigo, foi andando, motivada e incentivada pela mãe, cujo sonho era ver os filhos formar-se na Universidade, facto que lhe tinha sido negado.
Maria não queria, dizia muitas vezes a sua mãe, que preferia ser criada de servir que estudar. A mãe pedia-lhe mais um ano, e ela com receio de a magoar, lá ía indo, ano após ano, uns com sucesso, outros com menos, já que nunca foi uma aluna brilhante, mas foi a única dos irmãos que conseguir entrar para o Ensino Superior, os outros foram ficando pelo caminho, por um motivo ou por outro.
Quando tinha cinco anos, o seu irmão Francisco, o segundo da prole, falecera.
Depois de uma ida ao Rio Mondego, que fazia frequentemente, com os amigos e irmão mais velho, atirou-se á água para ir buscar uma bola, resultando uma congestão e falecimento. A mãe isolou-se, Maria lembra-se de a ver chorar, quando se julgava só. A menina só conseguia dar-lhe beijos e fazer-lhe carinhos, palavras não tinha, afinal ainda era uma criança. O pai, esse tornou-se alcoólico inveterado, vivia para beber e bebia para viver.
Maria foi tomando consciencia, que na vida cada um vivia as suas mágoas, as suas dores de forma diferente, de uma forma muito própria e pessoal.
Uns choravam quando sós, mas arregaçavam os braços e lutavam porque afinal ainda tinham 3 filhos por quem lutar, outros afogavam-nas no alcóol, e enfernizavam a vida daqueles por quem deviam lutar, forma mais fácil de esquecer, afinal não se sentiam obrigados a mais nada. O mundo desabara, caira-lhe em cima, e como tal, enfiava a cabeça no buraco, permanecendo por lá.
Por essa altura, Maria nutria uma admiração por aquela mãe lutadora, quase próxima da adoração.

03/11/2005

31/10/2005

Reeditando.....

O início de algo: Á laia de homenagem.

Nunca antes me passara pela ideia, que um dia iria escrever, sem saber para quem.
Quando nos meus tempos de meninice e adolescência escrevia, eram coisas muito minhas, que para mim ficaram, hoje guardadas no recanto escondido dos caixotes de uma garagem.
Alguém me aguçou o apetite de escrever, alguém de quem gosto muito, um amigo, dos que não conseguimos esquecer, nunca, nos entra no coração e fica para todo o sempre.
Segui o teu conselho, e fico-te para sempre grata por espicaçares o bichinho, há muito adormecido.
"O meu gosto por escrever tudo o que a minha alma sente e o coração me dita"
Para ti, meu querido, a minha homenagem
Um ano de vida


Passou mais um ano, um ano de uma vida atribulada, repleto de incertezas, de emoções inimagináveis, para alguem que se julgava forte.
A vida, põe-nos á prova quando menos esperamos, temos de a enfrentar e agarra-la pelos cornos, não vá ela escapar-nos por entre as mãos.
Estamos aqui, vencemos e isso é que importa.
Este vai na cor da esperança, mas prometo que será só este